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Netuno e Plutão: o que o aspecto entre eles diz de você

Netuno e Plutão só formam conjunção a cada 492 anos. Veja por que ninguém vivo tem a oposição, e o que disso é seu no mapa.

Por Shelly Gonella em Os aspectos de Netuno e de Plutão11 min de leitura

O que é um aspecto no mapa astral

Um aspecto é a distância entre duas peças do mapa, medida em graus — e é isso que diz se elas trabalham juntas, se ignoram ou brigam. As séries anteriores descrevem cada peça sozinha: o planeta no signo, o planeta na casa. Esta descreve o que acontece entre duas delas.

São cinco as distâncias que a tradição chama de aspectos maiores: a conjunção (0°), o sextil (60°), a quadratura (90°), o trígono (120°) e a oposição (180°). Cada uma tem um jeito próprio de pôr duas peças em contato, e nenhuma delas é boa ou ruim — o que existe é o que cada uma cobra e o que cada uma entrega.

E há o número que quase nenhum texto diz: o orbe. Duas peças a 90° exatos formam uma quadratura; a 97°, não formam nada. Este blog usa 6 graus para os aspectos maiores, e fora disso são duas peças no mesmo mapa, que é outra coisa. Por isso um aspecto não se descobre pela data: ele precisa do mapa calculado.

E há uma ordem de leitura que muda tudo, e que quase nenhum site respeita: o aspecto vem por último. Ele descreve a relação entre duas peças, e não dá para ler a relação sem conhecer as duas. Quem chega aqui sem ter lido cada peça no signo e na casa está lendo a conversa sem saber quem está falando.

O que Netuno e Plutão significam juntos

O aspecto entre Netuno e Plutão é o mais lento de todos, e o menos pessoal que existe. Netuno é o que dissolve contorno. Plutão é o que desmonta e refaz. Em contato, eles são o fundo do fundo: o ciclo entre os dois dura cerca de 492 anos, e a conjunção mais recente aconteceu por volta de 1892.

É o par que menos diz sobre uma pessoa e o que mais diz sobre uma era. Toda a gente viva hoje nasceu na mesma fase larga dele, e é por isso que ele quase nunca aparece numa leitura individual.

E aqui está o que quase nenhum texto escreve: um aspecto é uma RELAÇÃO, e não uma peça a mais. Ele não acrescenta um traço ao seu mapa — ele diz como dois traços que já estão lá se dão um com o outro. E há aqui um fato astronômico que vale a página inteira: os dois estão em ressonância 3:2, o que mantém a distância entre eles numa dança regular — e é essa dança que explica por que certos aspectos entre eles não acontecem em vida nenhuma.

Vale dizer o número antes de qualquer leitura, porque sem ele não há aspecto: este blog usa 6 graus de orbe para os aspectos maiores. Fora disso são duas peças no mesmo mapa, que é outra coisa. E o orbe pede o mapa calculado — e aqui o mapa calculado quase não decide nada sobre o aspecto: ele decide a casa, que é a única coisa deste par que é sua.

A conjunção de Netuno e Plutão

A conjunção é o começo de uma era, e a última foi por volta de 1892. Ninguém vivo hoje nasceu numa conjunção de Netuno e Plutão, e a próxima só acontece daqui a séculos. O que existe é o efeito prolongado da última, que marcou o século XX inteiro.

É o único par da série em que a leitura honesta começa dizendo que não há o que ler no mapa de uma pessoa — e essa honestidade é a razão de esta página existir.

Os aspectos fáceis: sextil e trígono de Netuno e Plutão

O sextil entre os dois é a fase em que praticamente toda a gente viva nasceu. Ele acompanha o século XX e boa parte do XXI. Como é compartilhado por quase todo mundo, ele não distingue uma pessoa de outra — o que não o torna irrelevante, e sim invisível.

O trígono pede 120 graus, e ele acontece: é raro dentro de uma vida, mas a órbita permite. A conta é longa, e o que muda de pessoa para pessoa continua sendo a casa.

Os aspectos tensos: quadratura e oposição de Netuno e Plutão

A quadratura e a oposição existem na conta e não na vida de ninguém que esteja vivo. Este é o único par da série em que um aspecto é possível pela órbita e ausente na prática: medido de 1900 a 2100, Netuno e Plutão não passam de 134,9 graus de separação — e por isso a oposição não aparece em nenhum mapa de gente viva.

Refeita a conta de 1600 a 2600, ela chega a 180 graus em 2138. Ou seja: a oposição é possível, e ninguém vivo hoje a tem. A frase certa não é “não existe”, é “não existe em ninguém que esteja aqui” — e a diferença entre as duas é o que separa medir de chutar.

Como o aspecto entre Netuno e Plutão aparece no dia a dia

Ele aparece no fundo comum a todas as gerações vivas, e não no dia a dia de ninguém. São sinais concretos, do tipo que se reconhece na própria semana — e eles valem para qualquer um dos aspectos deste par, porque o assunto é o mesmo e o que muda é o atrito:

Repare no que essa lista não diz. Ela não diz que a pessoa é de uma era decadente nem de uma era iluminada — dois rótulos que este par carrega e que descrevem o extremo, não o aspecto. Diz que este par é o fundo de uma era inteira, e o que é seu é apenas a casa em que ele caiu.

Isto não aparece do mesmo jeito em duas pessoas com o mesmo aspecto. O que muda é em que signos e em que casas as duas peças caíram, e como elas se dão com o resto do mapa.

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O aspecto fácil tem um custo, e o tenso tem um presente

Esta é a inversão que a maior parte dos textos não faz, e ela vale para todo par: o que corre sem atrito nunca foi testado, e o que incomoda é o que produz. O trígono entre Netuno e Plutão entrega o resultado sem esforço — e por isso a pessoa costuma não desenvolver o músculo, e descobre isso no dia em que a facilidade não basta. Aqui a inversão editorial vale de outro jeito: não há uma geração fácil e outra difícil para comparar, porque só existe uma fase viva. O que sobra é o exame, e não a leitura.

É o par em que a régua desta série trabalha mais e entrega menos — e isso também é informação, porque diz onde a astrologia deve calar em vez de inventar. O Método Shelly lê todo arquétipo por quatro faces — a luz, a sombra, o excesso e a deficiência —, e num aspecto elas se distribuem entre as duas peças: quase sempre uma delas está em excesso e a outra em deficiência, e o conserto é pelo lado fraco.

Como Netuno e Plutão evoluem com o tempo

Ele não amadurece dentro de uma vida: o ciclo é mais longo do que qualquer biografia. O que muda dentro de uma vida é a relação entre esse fundo e as peças pessoais do mapa — e é a única coisa deste par que vale ler numa consulta.

Maturidade aqui não é da pessoa, e sim de quem lê: é saber parar de atribuir a um mapa o que pertence a uma era.

Nenhum texto honesto dá uma idade exata para isso: o arco depende do mapa inteiro.

Este é um aspecto de GERAÇÃO, e não seu

Netuno e Plutão são os dois corpos lentos deste par, e nenhum dos dois é pessoal. Netuno fica catorze anos em cada signo e Plutão de onze a trinta e um, e o ciclo entre os dois dura cerca de 492 anos — o mais longo do sistema solar entre corpos que a astrologia lê.

Dito sem rodeio: este aspecto não descreve você nem a sua geração. Descreve a era. Toda a gente viva hoje nasceu na mesma fase larga dele, e é por isso que ele quase nunca entra numa leitura individual.

O que é seu, e só seu, é onde isso cai no seu mapa: em que casas os dois estão, e que aspectos eles fazem com o seu Sol, a sua Lua, o seu Mercúrio, a sua Vênus e o seu Marte. É por aí que um aspecto de geração vira biografia — e é a única parte desta página que depende da sua hora e da sua cidade.

O que o aspecto entre Netuno e Plutão não diz sobre você

Ele diz como essas duas peças se dão, e não quem você é. Os dois corpos são os mais lentos que a astrologia lê, e o aspecto é de uma era. A casa em que ele cai é o que depende da sua hora e da sua cidade.

Em que signos e em que casas as duas caíram muda tudo: um sextil de Netuno e Plutão na casa 12 é um fundo que a pessoa quase não percebe; o mesmo sextil na casa 5 encosta na criação e fica um pouco mais visível. Veja Netuno nos 12 signos e Plutão nos 12 signos, que descrevem cada peça sozinha — e é a leitura que vem antes desta.

Um limite dito em voz alta, porque ele é parte de ler com seriedade: nada disso é previsão. Astrologia descreve tendência e dá vocabulário para o que a pessoa já vive — ela não substitui trabalho nem decisão sua.

Perguntas frequentes sobre Netuno e Plutão no mapa

Como eu descubro se tenho esse aspecto no mapa?

Só com o mapa calculado. Um aspecto é uma distância em graus, e grau não se estima pela data: as duas peças precisam estar a 6 graus da distância exata para o aspecto existir. É diferente do signo, que a data entrega — e é a razão de esta série pedir o mapa antes de qualquer leitura.

Aspecto tenso é ruim e aspecto fácil é bom?

Não, e essa é a leitura que este blog recusa em toda página. O aspecto fácil corre sem atrito e por isso nunca foi testado — a pessoa costuma não desenvolver o músculo, e descobre isso no dia em que a facilidade não basta. O tenso incomoda, e é o incômodo que produz. As biografias que valem a pena ler costumam ser cheias de quadraturas.

Por que ninguém tem Netuno em oposição a Plutão?

Porque medido de 1900 a 2100 os dois não passam de 134,9 graus de separação. Mas a conta refeita de 1600 a 2600 mostra que ela chega a 180 graus em 2138: a oposição é possível, e ninguém vivo hoje a tem. Recorte de janela não é física.

Vale a pena olhar este par no meu mapa?

Vale para uma coisa só: a casa em que os dois caíram e os contatos que eles fazem com o que é pessoal no seu mapa. O aspecto entre eles é o mesmo para toda a gente viva, e uma leitura honesta diz isso antes de qualquer outra coisa.

O que vem antes: o aspecto ou o planeta no signo?

O planeta, sempre. Um aspecto descreve a RELAÇÃO entre duas peças, e não dá para ler a relação sem conhecer as duas. Quem chegou aqui direto vale voltar às séries de cada peça no signo e na casa, e só depois ler esta — a leitura fica outra.

Aspecto que não é exato ainda conta?

Conta, e mais fraco quanto mais longe do grau exato. Um aspecto com 1 grau de diferença é uma peça central do mapa; com 5 graus e meio, é um traço a mais. E é por isso que a diferença entre um mapa calculado e um mapa estimado aparece aqui antes de aparecer em qualquer outro lugar.

Netuno e Plutão em resumo

Corpos Netuno e Plutão Aspectos possíveis conjunção, sextil, quadratura, trígono, oposição Orbe 6 graus

Palavras-chave geração, ciclo longo, ressonância, órbita

Isto aqui não dá para descobrir pela data nem pelo signo: as doze casas são contadas a partir do Ascendente, e o Ascendente muda a cada duas horas, aproximadamente, e depende da CIDADE onde você nasceu. Sem hora e local não existe casa nenhuma — nem aproximada. Dá para calcular de graça aqui.

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Os aspectos de Netuno e de Plutão